"Enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso tímido de quem pede desculpa de existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se à guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo único, um só tronco de música e de raiva, de sonho e de melodia, de angústia e de esperança, exprimindo por sons tanta coisa que nós não tínhamos palavras para dizer" - José Carlos de Vasconcelos - Nascido em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925, filho de Artur Paredes, neto de Gonçalo Paredes e sobrinho-neto de Manuel Rodrigues Paredes. Carlos Paredes é herdeiro de uma vasta tradição guitarrística familiar. A guitarra corre-lhe nas veias, confundindo-se com o seu próprio sangue. Foi aliás, fruto dessa influência familiar, especialmente a partir da guitarra de seu pai, que Carlos Paredes apreendeu uma outra forma de tocar, mais brusca e violenta, uma guitarra transformada e inovadora, sempre em busca da perfeição. Como ele próprio disse, «foi com meu pai que eu aprendi a tirar da guitarra sons mais violentos, como reacção ao pieguismo langoroso a que geralmente a guitarra portuguesa estava ligada». E essa guitarra inquieta, feita do mesmo sonho com que os nossos marinheiros partiram a descobrir os sete mares, foi a arma, ou a voz, que Carlos Paredes encontrou para melhor exprimir a sua sede de descoberta e com a qual percorre, num incessante «movimento perpétuo», esse desconhecido caminho em busca das melodias que estão para lá do "Bojador", para lá da sua guitarra outra.